segunda-feira, 18 de julho de 2011


Desorganizei a casa pra você entrar
Desarrumei a vida pra você chegar
E chegada a hora de nascer amor
tudo volta ao lugar, confusamente sem graça

Coloquei o amor onde antes estivera
replantei as flores no azul do céu
joguei os peixes de volta ao mar
e me falta ar pra saborear a vida

Repensei coisas que havia esquecido
Amei o ódio e o tirei para dançar
fizemos valsa no tapete vermelho
e dançamos amor pela escadaria


Joguei o tempo contra ele mesmo
e troquei as vidas de lugar
Armei contra o destino
e descansei no peito que não é meu

Endoidecida pelo desamor,
descobri passagens que me prendiam
embebecida pela minha insolência
me descobri muito mais perdida


E do amor não quero mais nada
a menos que ele também me queira
A vida é mesmo uma grande surpresa
e eu cansei de ser a única a não entender

Às vezes parece que estamos lado a lado
e vem o destino e nos desune
Às vezes parece que se desprende algo
que fica suspendendo esta existência

quinta-feira, 14 de julho de 2011


Como o ar que se prende nos pulmões até sufocar,
Como o amor que preenche algum espaço entre o peito e o córtex cerebral,
Como o sorriso que completa a face e faz rugas desejáveis,
Como o beijo que se adapta a saliva alheia e aprende tirar dela o melhor sabor

Mas como a incerteza que não queria ser assim
Mas como o medo que queria ter coragem
Mas como o sonho que queria ser pesadelo
Mas como tudo que sonho que queria ser real

Espero teus olhos acharem os meus
Espero tuas mãos encontrarem o caminho
Espero o fim que venha encontrar o começo
Espero acordar deste meu devaneio...

Busco a chuva a lavar a calçada seca
Busco o frio esquentar a alma
Busco o que já existe para compreender-me
Busco na mentira o que me acalma

Beijo uma boca a procurar a sua
Como se o ar que prendo pudesse conter-te
Mas como tudo que sonho não vem a ser meu
Espero o dia que matarei minha sede
Busco encontrar teu cheiro que já se perdeu...

quarta-feira, 13 de julho de 2011


Na noite passada, nas lágrimas da chuva,
estavas sim, eu sentia...
No breu do meu sonho, que sempre foi por ti, estavas tão bela que mal pude perceber
que sua face escondia medo...
Na fuga do beijo por entre os dedos, o medo, a falsa verdade, o verdade fingida, o amor corrompido, escondido ...
No encontro não marcado, no esconderijo, nas mãos que seguram firme, no coração que foge livre como pássaro...
Meus pesadelos estão acordados para ver sua beleza, e sua tão fina pele tenta deter o calor que se desprende... viaja pela infinidade de calhas que a vida se drena...

segunda-feira, 11 de julho de 2011


Teus olhos me acham, e eu me perco
sinto medo de ser e vontade de estar...

Teus olhos me buscam e eu fujo
e este medo de entender e não realizar...

Teus olhos se encaixam nos meus e eu desvio
é sempre o medo de amar como jamais pude...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Análise....


Das janelas, tão altas de minha alma, vejo seus olhos, tão indiscretos a me censurar...
Dessas ruas cheias de gente, cheirando a urbanidade, vejo sempre algo que me faz parar, analisar...
Dessas pedras já jogadas e que retornam sobre você, mostrando que na verdade os erros são somente seus...
E das calhas destas casas, vejo escorrer o limo verde, mostrando a velhice de nossas mentes, a apodrecer nosso senso de discernimento.
Geração após gerações sobrevive sempre o mesmo medo de cometer-mos os mesmos equívocos...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Excesso de verniz....


Se pudesse pedir silêncio, pediria o silêncio de uma música bem alta de Janes Joplin,
que quanto mais alto, menos se ouve as interferências do mundo...
Se pudesse pintar os muros, como no tempo que não se podia, faria caretas, pintaria todo o ódio em vermelho, lascivo e cravejado, destas coisas todas que sinto e que me transfiguram...
Mas se eu pudesse algo, algo que realmente ficasse pra sempre, calaria...
o silêncio também grita, também vocifera,
e faz-se ouvir de mais longe, ao menor ruído...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ainda...




É quando as flores artificiais murcham, que percebo o quão real era o que existia antes...
Até as paisagens no quadro da parede perderam as folhas... fica a vida em sépia...
Não quero fingir personagens, por que assim não seria verdadeiro, preciso de felicidade que dure...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Como nasce?


E minhas rimas ricas já tão bonitas.
Meninas tão enfeitadas, perfumadas,
esperando a vida se encaixar,
fazer rimas com o verso acima
e fazer amor com o "r" que se desprendeu da palavra rota,
traçando outro caminho...então o ota se empresta ao jota pra fazer o jardim florescer...
Não serão então somente flores, já mortas num vaso chinês, parecendo amostras de vida sobre a mesa, mostrando que ali jaz o que um dia vivia, la fora entre os pássaros e roupas limpas no varal...
E você que as achou belas demais, trouxe-as para sua vida enfeitar... esta já tão insossa...e que culpa tinham as flores?

quarta-feira, 15 de junho de 2011


Tua beleza é cega
ainda assim tão bela
e me faz graça e amar somente


É de uma beleza tão fugaz,
me faz de criança
ao tentar decifrar teus devaneios...
Minhas mãos tão ávidas de toque, tateiam a tua face
descobrem a vida inteira.


Teus sonhos não cabem nos meus, então eu abro brechas na minha vida pra encaixa-los... deixo de sonhar os meus pra realizar-te os mais sutis desejos.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Devaneando...



E a lua e o sol, nada disso terá importância....
e o vento, a neve, as brisa quentes de verão, calem-se todos, meu amor quer reinar único, exageros, rompantes e todas as vidas que vivi até este momentos, guardados em meu peito que agora explode, rompe a carne, sangra meus devaneios e divaga com meu ego ferido em batalha....conversam, confabulam e sem chegar a uma conclusão, adormecem em minha mente, que de leito se faz a teus desejos....

segunda-feira, 6 de junho de 2011


Se não há de te apaixonar, que seja assim...
mas tem o cheiro lá de casa, e o andar, malevolente quer roubar, quer ser pra mim...
Se não há de existir, tampouco hei de chorar,
mas já te contei minhas histórias e tudo pareceu lhe agradar, mas se não dá de te apaixonar, não sei mais....
Tem aroma tão familiar que nem sei como explicar,
mas se não há de mim gostar, hei de me deixar partir...

quarta-feira, 1 de junho de 2011



E fez-se a luz, não a luz humanamente descoberta,
mas a luz que emana sabedoria sobre coisas tão simples,
que pondero até as minhas menores descobertas,
fica sempre parecendo que as coisas novas
demais estão velhas à meu conhecimento

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Um poema sem nome...



...Se vai devagar, fazendo pirraça meu peito se espalha.
E não vai querer mais saber de limites,
vai querer comandar teu riso
e se me disser que não sei,
te digo que não sei entender,
e vai devagar tua valsa dançando nos meus olhos,
que é devagar que te beijo,
é devagar que decoro as flores nos teus olhos,
que decoro o amor nos teus lábios...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Assim...


O amor é para os grandes: eu não sei amar!
Se as fraquezas são humanas, mais humana ainda me sinto, por que não sei amar...
Não sei sentir isso que você me diz que é amor, isso é pra mim algo tão utópico, tão distante...e prefiro senti-lo assim distante, me poupam feridas, e novas cicatrizes...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Siempre...







O braço estende longe, quase some pela mão e o toque vai se indo a ponta dos dedos até extinguir-se...
e eu que sentia teus dedos sobre a carne, quase ferindo , agora sinto o calor começando a esfriar...
A pele arrepiada, o peito arqueado quase sufocando e todas as coisas que pensei começam a desaparecer na minha mente...
As névoas da minha memória queriam hoje apagar-se, deixar a grande onda me alcançar, mas sempre acordo na praia como se no último instante desistissem de me deixar partir...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Melancolias II


Me faça feliz, me faça amor
me faça bem e destrua o mal,
viva feliz, roube de mim,
é a felicidade que me cabe à me ferir

Me faça mal, não faça nada
que a vida vá te culpar, ao passar do tempo
meu bem não tem coisa nenhuma que possa te poupar

Me sequestre os sonhos que à mim não fará diferença
e não venha mais, que ao me fazer feliz destrói o fim natural das coisas
Assim não me cabe mais felicidade, fica triste o olhar apenas,
fica imóvel a vida, a sua própria sorte...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Valseio


O que vão dizer meu bem, se eu te roubar pra mim?
O que hão de pensar se eu te tirar pra dançar a nossa dança doida, desvairadas formas de amor transformadas em atos falhos dentro de mim...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Melancolias



Tuas mãos insanas a destilar mentiras a todo canto
E buscando em mim, destruir meus sonhos..
Construir castelos falsos,
plantar utopias ao vento.


Do teu amor nem saudade me acomete
Ficou o medo de acabar assim
E de não ser pra sempre contente
Este amor a me deixar no fim


E vens nas madrugadas como nuvens de tempestades
ventos frios a gelar minha alma
seguindo por noites quase infinitas
te encontro repousando teus sonhos nos meus...


Queria garras para te ferir fundo
fazer-te sangrar, sofrer
sentir também aquilo que já sei superar...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O inicio


Olho no olho
Pele contra pele
mais perto, junto
e não mais apenas um coração vazio.
Se olham de perto, e mais de perto, se beijam.
Como é doce a adrenalina de se beijar…
As mãos são tremulas e pesadas e o coração quer ficar só mais um pouco.
Quando tudo parece ter fim os olhos se acham e numa valsa parecem rodar, numa melodia imaginária, num sorver de almas inquietas encontram o sentido daquilo que sentem…

quarta-feira, 4 de maio de 2011


O errado, o torto, o pecado, todos eles tem seu charme.
A bondade é uma menina boba que nao ousa, enquanto a maldade é uma mulher de vermelho que provoca...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sequência



Dias nublados, dias tristes, sem sorrisos, sem alegrias.
Dias feios, malditos, sem você, temporais dentro de mim...
Dias cinzentos, sem seu amor, dias que não acabam, que não findam minha solidão...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Veneno


Na rubra face o beijo quer encontrar,
No colo alvo, deleitar desejos
e na turva névoa de seus olhos de menina,
morar pra sempre, viver apenas...

No corpo arqueado e belo
Na pele quente e arrepiada
O desejo vem a flor da pele
e minha boca se afoga no teu veneno


Envenenado quero entregar-me
E no corpo já possuído, sinto o ondular de desejos,
e ao me entregar sinto medo só de pensar nas tuas garras...


Menina tão bela
E tão fácil de amar,
tem a beleza a fugir-te pelos olhos
e a pele que devia deter o calor, já espalha teu perfume todo a fora.

Ah que teimosa que és,
parece brincar de mais bela querer ser
e de tanto fugir de meu olhar, quando percebo, sua beleza é ainda mais encantada que antes eu via...

Calo para não espantar-te
você que parece fera arisca,
fico imóvel respirando seu ar
e quando vejo, aninha-se em meu peito...

Menina flor que desabrocha
És meu encanto dia e noite
sei que um dia há de me deixar sentir teu veneno fresco e morrer em seus braços

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Beijo...



Você esconde, mas entendo,
teu beijo na face queria ser outro.
Percebo, e na tua pequena timidez,
queria, entrar pela face dos olhos,
moraria, entre as salivas do meu beijo
Amaria, estar entre meus dedos, entrelaçados
mas, envergonhou-se e do querer e do desejar ficou num beijo na face somente...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Perdição...



Olho teus olhos, no fundo de tua alma, tão pura, existe um que de não sei...
Uma injustiça tão grande fazer-te assim tão bela, tão perfeita, que fardo pesado te deram pra carregar, que bênção tão grande deram então à mim, que nem merecia, mas agora meus olhos não sabem outro ser olhar...
Quando te olho não vejo nada mais alem de ti, é um feitiço tão bem feito, coisa doutro mundo, e por que não ...
É um medo tão grande, o que me invade ao ver tamanha beleza, brotando em flor do teu seio de morena-menina...
Ah que pavor tão latente, teus lábios envolventes, parecendo uma serpente, querendo me devorar...
Mas que certeza me corre nas veias, que verdade tão audaz que acerta-me no alvo-meu coração, que de tão tolo que é, se vê já sangrando, entrelaçado de lanças afiadas e garras enferrujadas já quase à morrer, mas não reage... apenas sorri a teus olhos ver...
Meu peito explode, desejo e carne, ou então melancolia de ser algo quase indesejado aos olhos teus...

O sopro tempo...


Eis que percebo que o tempo passa e com ele
arrasta tua beleza dos melhores anos...
Eis que ele, magnífico, não se curva e rouba de ti tuas horas mais belas..
Mas vá mais calmo velho amigo, que tem os anos como confidente, não temas minha
juventude, que ela não supera tua teimosia e nem meus poucos anos se
somando uns aos outros, chegariam sequer perto de tua implacável e
injusta temperança...
Mas não fiques muito calmo que mais temo a imortalidade que a velhice, imagino-me vendo o abraço amigo dos anos sendo carinhoso com os que amo e fechando os braços
para mim...
Não,não quero ser pra sempre, quero sim ouvir o dobrar dos sinos na capela e saber que anunciam a ida de um vivente que ao deixar esta vida, torna a pequena face da temida última viagem, talvez em bela face da nova chegada... Dou-te a mão, amiga e contigo hei de bailar em salão todo enfeitado de vermelho
e veludo, flores rubras e almofadas à meu deleite...
É amiga, um dia hei de te ter bem perto, mas calma, pede calma a teu criado-tempo, peça à ele que demore o tempo justo dos bons amigos...

sábado, 23 de abril de 2011

Mais uma vez as fotografias de Leko Machado tornando vivos meus poemas....

http://lekomachado.com.br/?p=5141

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Síntese de mim...


Eu sou o meio, que fica no inicio, e que quer dominar o todo...
Sou também a mãe que quer ser filha, que quer amar...
Seria um sonho aos desavisados que me querem amar
Mas serei um dia um caminho cruzado por varias vértices de outras vidas...
Talvez eu também seja o vazio lugar de quem não veio, uma cadeira vaga numa plateia distraída e atônita com seus próprios egos inflados...
Eu sou com certeza o que você queria ser, sou também o que mais abomina e o que deseja profundo...
Sou o ápice da tua destruição, sou a mínimo do teu querer... sou eu apenas, você olha e demora a entender, por que no fundo imagina ver-me de máscaras...
Não sei fingir, não é algo assim simples, é pra quem tem habilidades demais e eu apenas tenho covardia em excesso...

Procurando...



Debruço-me sobre as águas do poço de minha existência, buscando nelas, turvas e fundas do meu ser, algo que complete aquilo que me sufoca o pensamento...
Ao olhar tão profundo parece tão simples prever o mais simples ato, mas passa tão rápido minhas ideias tontas que um minuto após já me parece nunca ter havido...
As águas tão espessas, acalmam-se em ondulações e eu me perco no momento exato de te encontrar...
Sei que tu existe no mais profundo das emoções que guardo....e mesmo que em algum lugar, mesmo que as vezes eu não perceba onde exatamente, sei que lá estás...Não me importa quanto tempo fico a observar, sempre sei o quanto posso me autorresgatar, meu olhos se perdem na profundidade do poço de minh'alma, e tentando encontrar minhas respostas...sinto uma verdadeira abstinência de algo que poderia eu supor que seria relevante recordar agora, mas o vazio imenso me alcança tão rápido na minha reflexão momentânea... me sinto afogar-me nas minhas melancolias...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Roubar-te-ei


Eu quero dançar a valsa, que sei que toca no teu sorriso
E a mais pura melodia sei que desprende do teu espírito...
e ficamos a valsar e sentir o vibrar dos pés, sentindo que nada pesa no nosso corpo...
Sei que posso roubar teus sonhos e transforma-los em musica
tirar deles toda beleza e deixar-me levar na tua brisa...

Penso nas horas de palpitar infinito , em que nossos corações por instantes param de bater,
na teimosia de silenciar para ouvir o vibrar de nossos devaneios
Ai que medo de perder o compasso junto deles....

A vida vai levando e ditando o ritmo, sem medo vai dizendo suas regras, e eu por teimosia vou roubando-a pra mim...
Não gosto de regras e nem de fatos já escolhidos, gosto de dançar quase sem música a melodia doida que me toca na mente...

Pego em suas mãos e te levo comigo,
tu meu mais belo dançarino,
que outrora não conhecia a vida e que agora não sabe existir sem meu som aos ouvidos,
aos cochichos, te roubam a inocência, perturbam teu equilíbrio...
Não temas doce criança que te faço adormecer à minha melodia eterna....

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sutil...



Dentro de mim cabe uma flor que se abre ao entardecer
E trás consigo a sina, minha teimosia de tanto querer
Mas ainda assim me atrevo a querer mais flores semear...
A me causar mais cansaço só de pensar...

O amor que nasce em mim se faz outra face
o meu amor que alimento, em outro corpo se nutre
e vivo como se o dia após o outro se autorrespondesse...

Não há julgamentos sem você, não há nem como raciocinar
E o pesar dos meus pensamentos se fundem
naquilo que eu queria antes como verdade

Eu retoco a pele como se a maquiagem pudesse esconder
a face cansada já tentando fugir,
mas a cara já descarada me entrega os segredos tao mal guardados...

Minhas cores em flores já se empalideceram
morre também as vontades, desejos, tudo mais que se queria...
É a vida que eu não quero mas que agora é como amiga...
Vivo dela cada dia, como se fosse uma sequência doentia, as dores do corpo e as da alma já indissolúveis, não mais passageiras...

E minha alma é a calma em si, mas as vezes quer se revoltar
Tenta ser o que não é, e quase convence que assim poderia ser...
As tolices dançam na minha mente, meninas tão bobas a se perder...dançam tanto que cansam e vem nos meus olhos adormecer...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Voar



Vejo minhas asas brotando, como mudas na terra úmida...
Sinto o vento abri-las e você me segura, pra eu não voar...
Vejo as lágrimas em pó tentando liquidificar-se pra tentar achar um jeito de não ferir...
Mas minhas asas já prontas querer abrir-se em voo, pleno pelo céu...
O ar passando dentre as fibras e então sinto que a liberdade dói tão fundo quanto uma lança...
A vida pulsa e meu peito entende que se eu quiser continuar tenho que tentar de verdade...
O pássaro de minh'alma precisa voar tão longe e eu por egoísmo seguro firme ele dentro de mim pra que não me abandone os sonhos que sei que me trás.
O frio que passa por dentre os ossos, segurando o pranto que quer verter, faz também tempestade, tentando derrubar-me do ar onde quero permanecer...






Foto( Diego Lameira)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Dúvidas



Cadê teu cheiro que me pertencia..e que agora se abstem de mim
Onde moram agora teus sonhos que antes repousavam nos meus?
Por que não consigo respostas pra minhas infantis perguntas?
Cadê teu beijo que sempre se curvava a meu desejo, e nas noites frias buscava abrigo no meu coração....


E nossa cama de sonhos, nossos deserto de pecados...
Todo tipo de sonho que se apagou como uma vela ao vento
E se fez solidão, somente por teimosia...
Ficou o medo se ter sonhado sozinha....

E ficou o ressentimento, ficou o medo
E da vida que foi a nossa, ficou a saudade...
Deixei guardado no peito tantos sonhos desfeitos
E agora quero ser livre...livre apenas
Mas que liberdade estranha, que da vontade de se prender...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sentir...


Quando da porta alcanço a rua meu coração na boca,
e entre salivas e lábios quentes ainda sinto o peso do beijo...
Entre olhando e vendo que seus olhos me vem atravessar a rua, e a lua já escura esconde o medo de ser o último beijo...
Sigo em frente e o rubor da face da lugar a brisa fresca que me faz ir voltando ao normal, o coração vai sentindo o caminho de casa... se acalma....
À temer que não exista amor no mundo capaz de suprir tamanha sede de beber teu mel amargo, ou talvez pensar que isso nem seja amor...
Sinto tanto medo e desejo profundo que a vida corra até outro dia e em meu corpo percorra os dedos e as estranhas maneiras de dizer que quero me desdizendo e entregando o corpo e a alma e já não pertence a mim nenhum sentimento do peito adentro...
De arrepiar o corpo e você me olha e a luz da alma já se apaga e teu cheiro me ilumina até o amanhecer...
Desses amores eternos eu tenho é medo, que dure tanto que nos enjoe e a te amar perceba em mim a outra alma, que é alma tua e não mais deseja me pertencer....
A tua pele nua não me pertence, tampouco a minha ruborizada... a luz da lua já ofuscada, só quer sentir, se já não é mais nada , já não importa, somos você e eu, embriagados e a fome eterna de se querer...



Foto(Diego Lameira)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

À ti...




Meu amor se banha
nos desejos de entranhas...
E me trás tamanha vontade de te ter!

E a vida que me esconde
a perder de vista teus olhos
Busco em mim teu beijo quente
e encontro minha vida estendida por inteiro...

Meu coração, tormenta forte,
Nos faróis me guiam ao longe
mas de tão longe não vejo
Que me guias à me perder

Mas da vida espero ainda
meu príncipe em cavalo alado
À procurar, encontra no meu lado
O lugar no mundo sempre sonhado...

Meu bem vem assim tão fácil
e seu cheiro entorpece a casa
eu que não sei resistir
entrego meu corpo e alma

M'alma vendi à ti
Desde antes de ter noção que não pertencia-me mais
e quando tentei revogar a perda
perdi também meu medo de amar

Tu podes ser pra mim o que quiseres
ou tentar me roubar o sorriso,
mas sei que o que desejas já tens;
meu peito em medo eterno de não te deter

Vai, que a vida nos leva ao longe
e de longe sei que não posso retornar
mas de ti guardo no peito
amor, que pra mim serve de alento...










Foto(Diego Lameira)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tu...



Meu coração me pega peças
Ao me mostrar em você amor que não esperava...
O peito que antes andava quieto,
Agora vive uma eterna espera de algo inesperado...

O amor que te rendo, é algo novo pra mim,
É sentimento sem puresas, por que provoca outros quase letais.
Meu peito que queria bater ritmado, agora, bate quase como quem quer parar,
exausto deste amor cansativo...

Seus olhos, moram meus maiores medos, mas minha maior covardia é querer estar sempre juntos deles.
Minhas pupilas se dilatam a sua aproximação, meus olhos se estremessem e sob o peso de meu temor , se fecham, querendo um beijo ou uma gostosa risada sua...

Engraçado é pensar que não te queria tanto,
mas agora não quero tanto a mim, quero tão mais a ti...
quero suas mãos a acalentar meu torpor...


Meu corpo em febre, quer rir-se por inteiro...
Meu beijo, lábios secos a esperar, querem sentir...
Sua voz faz meu peito explodir em tormentas a tentar chamar mais atenção que a beleza de teus olhos, tão perfeitos...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Confissões


Tenho que te confessar, algo que me estremesse só de pensar... me faz delirar o peito em um mar de ondas mornas...
Tenho que tornar publico o que nos meus sonhos parece tão normal... mesmo que não entendam, pra mim isso já não importa...
Tenho que dizer a você o que pra mim já é uma verdade absoluta...quero que seja pra você também verdade....
O teu jeito de olhar, me cativa tanto, que me vejo obrigada a confessar a quem quer que isso interesse que não é apenas amor, nem só paixão febril, nem ao menos um sentimento de capricho, ou um modismo passageiro, sinto que o que existe é tão único que não tem como comparar, estabelecer paradigmas, seria injusto tentar traçar paralelos com qualquer que seja o sentimento....
O sentimento que sinto eu chamo de amor de teimosia, chamo de delírios à flor da pele, chamo as vezes de amizade sem limites, e as vezes não o chamo de nada, apenas o sinto no meu peito... aos outros pode parecer démode meu sentimento infantil, mas não importa, à mim é apenas meu alimento....

Viva....


Você precisa acordar, pra ver o sol chegar, precisa despertar pra ver o romper a manhã, precisa deixar acontecer.
Não tenha medo de viver, eu só posso te dizer que não há nada melhor, o sol vem em silêncio, não faz festa ao chegar, mas não há quem não perceba que sua chegada aconteceu.
Não consigo ser singular, sutileza quase dói...você precisa se jogar, rasgar, romper sem medo.
Mesmo em dias nublados não há como deixar de existir..a vida acontece simples
Não nego o acaso, se negar mesmo assim acontece, sinto a vida aqui pulsando em meu peito, tentando livrar-se das amarras...
Os seus olhos são caminhos abertos, eu não sei hesitar a sua beleza única, não sei dizer não a seu sorriso sem censuras, não sei limitar o amor que transborda de seus lábios...
Ah o amor, palavra tão simples, significado tão confuso, tão enigmático, quase algo fugitivo, algo que pra mim parece querer ser livre mas que teimo em prender, egoisticamente ter apenas pra mim...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Pensando em ti.


O meu amor,

É um oceano infinito de poesia.

É a mistura de sensações e alegrias

É a cor do sonho, sem fantasia,

É o brilho do luar

O som do mar

À vontade de estar

Ao lado teu a sorrir

Sem um tempo a definir.

É sair sem partir

Para lado nenhum a procurar!

Sentir-te, sem tocar,

É o olho no olho a acariciar,

Dizer-te sem falar!

Sentir o vento alucinante

Que por alguns instantes

Rompe palpitante

Fazendo o coração chorar

E na explosão, lacrimejar!

E nos olhos a brilhar,

Uma lágrima quente a sair

E escorrendo pelo rosto

Em direção a tua boca

Que apenas imagino, linda, bela... alucinante

Esperando-me para te beijar.

O meu amor,

É um oceano infinito de poesia,

Sem uma gota de heresia

Nem sombra que vaga ou fantasia.

A minha paixão,

É o doce encanto de magia,

Não é um romper da aurora,

Nem a chuva fina ao fim do dia.

É a noite lenta que me embriaga

Na tua carícia que me afaga.

É o canto do seresteiro que anuncia

O nascer da lua cheia,

cheio de poesia

Na janela de minha bem amada.

A minha paixão,

Não é mágoa, não é tristeza não!

É um eterno pedido de perdão,

Um sentimento no teu silêncio em quietude,

Que guardas como virtude,

Talvez, mágoa ou medo, mas bem sabes!

Que eu não sou uma ilusão.

A minha paixão

Talvez seja, apenas alucinação, um momento,

Fração de tempo que dure o infinito,

Razão de um sentimento

Adormecido na imaginação!

O meu amor!

É o meu pedido de perdão,

Por este momento que te magoei.

Se em ti tocar no coração.


Autor ( Tadeu de Mello)

Passando


Não quero fechar meus olhos, antes da vida me mostrar a verdade...
Não quero me ir devagar sem antes teu beijo sentir de repente...
E se a vida eu deixar de um só golpe, sentirei tuas mãos a recolher meu sono...
Não quero deixar pra trás o que pra mim não merece ser passado.
E se o passado passar tão rápido que na ânsia do vento se dobrar ao pranto das pessoas que amei na vida... fico pensando tanto naqueles que ao chorar por mim quiseram mais uma vez me deter em suas mãos...meu peito em que abriguei tantos amores agora se encontra vazio como que um esquina vazia, sem parada de viajantes...E de te amar tanto, esqueci de entender a essência do que é o verdadeiro amor, me deixei prender, me deixei ficar, agora sinto indo devagar algo que parece se soltar dentro de mim, mas que não lembro de um dia ter amarrado direito. Me tranco em mim , num ato de reconhecimento, antes que a onda gigante das minhas magoas tape a névoa do meu entardecer de olhar as coisas da vida com tanta falta de graça... Esqueci de esquecer teu sorriso e lembrei de um dia te prometer meu amor eterno...A eternidade não existe...

terça-feira, 29 de março de 2011

Palpites...


O palpitar do meu peito tem o ritmo certo dos seus passos em minha direção... e o medo que tenho de que nunca retorne ao meu encontro descompassa o ato simples de respirar... minhas mãos tem palpites certos pra revirar o jogo de sedução que me impõe, e ao jogar me sinto como uma musica desafinada... no desatino doido dessa valsa insana pra qual me convida para dançar, me sinto achando entre arestas o resto que falta desse amor...esse amor que me rouba a tranquilidade, que me presenteia com o medo e me destrói a confiança... este alguém que não me tem por teimosia, que me esnoba na ilusão de me ter como rainha do seu palácio fictício...este alguém que me diz amores aos gritos e me desilude ao me deixar esperar, mas sei que não há distancias capazes de nos fazer desistir...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Meu amor........



Meu amor me provoca sentimentos que muitas vezes nem eu sei explicar, as vezes nem quero...
Mas o maior de todos eu cometo com prazer , meu prazer maior, ficar te olhando, como que observando uma obra de arte, como Michelangelo namorando o mármore a fim de ver dele nascendo a mais bela criatura...
Eu fico a olhar seus olhos fundos de águas turvas que me tonteiam, me fazem duvidar de coisas tão corriqueiras que já me pareciam superadas. Meu amor é tão terno a olhar-me que me desarma e então o bote certeiro se faz quase inútil, já que não hesito a seu embate. Suas mãos, garras afiadas, esmaltes escarlate, quase parece inofensivo, engano-me...Oh como me engano e me despreparo, me deixo levar por tua onda confusa de teorias infantis e conspirações mirabolantes, eu um fã imaturo observo tudo com que enfeitiçado, vidrado...
Mas meu amor não é apenas malícia, é também desamor, meu amor é menina-anjo, menina problema, e o problema maior me causa quando me desdenha, quando me deixa de lado, como uma boneca que perdeu a graça ou um brinquedo bobo que quebrou, perdeu sua utilidade... e então me causa um tormento, o maior deles...eu tento reconquista-la, não é fácil, ela é por vezes engenhosa, manhosa, melindrosa, maldosa...inúmeros predicativos, que ao tentar conquista-la encontro minha perdição e pra não perder-te pra sempre, perco então a mim mesmo, perco a vergonha, perco o orgulho, perco a decência, perco tudo... mas ganho o medo...medo voraz, medo alimentado por seus olhos de desdém, olhos de desprezo, olhos de menina mimada, que também quero mimar, mas que sem saber já faço...
Meu amor não é criança, mas preciso me convencer disso, pra me fazer brinquedo nas suas mãos descuidadas, desastradas, me derrubas a toda hora, me recolhe quando quer, eu por minha vez sempre quero...
Meu amor é apenas isso, se fosse mais eu também quereria mais, se fosse menos eu o alimentaria o ego, por que a mim é assim que agrada, sendo menina, sendo mulher, sendo má e me acolhendo num beijo que vale por todas as noites que não quis comigo dividir seus sonhos.....

quarta-feira, 23 de março de 2011

Escrevendo ao vento...


Me pergunto, invejo algo? paro e me respondo!
Eu invejo o poeta antigo, na sua antiguidade de amar, não usava caneta...ai que inveja...usava um tinteiro todo borrado nas bordas e um bico de pena ensebado...e a pena por um dia ter sido pássaro levava uma vantagem, lembrava-se de um dia ter voado e aproveitando-se das mãos seguras de seu dono, voava sem medo pelas linhas brancas do papel, voava tanto que quase voltava a ser pássaro, por vezes quase soltava um cântico... silenciava e seu voo ia puro, sentava no seu galho-tinteiro procurando palavras de rimas ricas , enriquecia mais quem o lia...ah o bico de pena, todo velho, depenado, mas agora a única inveja que me ocorre, e ao falar dela me vem uma vontade de um século antes ter tido um bico de pena, um pássaro amigo a escrever comigo....

terça-feira, 22 de março de 2011

Carta à meu amor!


Ah meu amor, você parece não me entender, e além dos meus olhos existe tanta coisa que inventei apenas pra te dar... mas você não quer aceitar...
Ah meu bem, sempre quis te dizer minhas verdades, mas pra te conquistar, contei mentiras infantis...
Ah minha paixão, teu sono leve parece esconder aquilo que não quer deixar ninguém descobrir, mas eu já me considero tão sua a ponto de me achar no direito de entrever alem do teu olhar....
Ah meu amigo íntimo, seus defeitos são tão perfeitos que a meus olhos parecem apenas detalhes da sua infinita beleza, parecem terem sido postos em você apenas pra que não ficasse perfeito demasiadamente....
Ah meu querido, queria gritar a plenos pulmões o que meus mais íntimos segredos já não conseguem esconder, aquilo que me parece tão normal que quero dividir, o que a mim é tão irracional que me parece natural exteriorizar, tornar de conhecimento coletivo, de apreciação de todos, invejado por todos....se soubessem que nosso amor é tão fulgaz...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Amor platônico


Gosto de ver você assim, entrando na minha vida, como o sol que vem todas as manhãs desenhar figuras abstratas no meu rosto...
Da soleira da minha porta vejo seus olhos sumindo ao longe, como quem se esconde de tanto amar, como quem com Platão fez um pacto e teme não resistir.
Meu Beijo cabe na sua boca e se transforma, minhas mãos entendem a essência simples do teu corpo e se confundem...
Seus olhos cabem nos meus e se perdem, na verdade você por inteiro cabe no meu olhar... e se encontra...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Desejos


Hoje eu só queria apagar o passado, chorar, limpar ...
Hoje eu queria uma roupa limpa, alvejada, passada, pra me aconchegar..
Hoje eu queria amar-te mais uma vez, correr mais uma vez, abraçar mais uma vez...
Hoje eu queria não existir, queria não querer, queria ter mais um minuto...
Hoje eu queria subestimar minhas vontades, testar meus limites, e saltar do abismo que me presenteia esta manhã...
Hoje só queria estar em paz, dormir, sossegar meu peito cansado...
Hoje eu queria tentar mais uma vez, me deixar vencer os obstáculos, queria só desejar
Queria que o tempo congelasse e ao acaso me deixaria assim adormecer, quase hibernar, minhas manhãs com cheiro de hortelã e meus beijos, carne crua...
Hoje eu queria mais que tenho, mais que jamais tive, queria tudo e o nada se enfrentando na minha frente, fechar a porta e os deixar... como queria que o tempo estivesse com preguiça esta manhã, mas ele vem tão implacável, me destroi....

sábado, 12 de março de 2011

http://lekomachado.com.br/?p=4695

Poema de casamento.... Olhem... as fotos estão lindas. Parabéns Leko

Paixão


O torpor toma conta do meu corpo, do quarto.
O sorriso transforma-se em medo e o encanto em convulsões de febre noite adentro...
Meu braços, debatem-se, minhas mãos arranham o cetim, as lágrimas da pele em forma de suor me fazem perder a coragem, desfaleço, e ressuscito em segundos, teus braços me seguram, correntezas e trovoadas se traduzem em beijos acalorados, acalmo meu seio que palpita, em teus lábios me enveneno, em tua saliva, o antídoto...
Os azulejos nos refletem sem tecidos à esconder nossos encantos da pele nua...
E meu amor que tanto sonhei esta agora na minha frente a luz da lua...
Minha confusão continua e teu cheiro me desarma, quando percebo tenho em minhas mãos teu calor quase letal.
Nossa casa de emoções, nossos alimentos de ilusão e nossos beijos de paixão tomam forma, a vidraça desfocada e teu rosto sorrindo a me ver sem graça...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Eu


Minhas lembranças são como sol entrando pela porta, atravessando cômodo a cômodo sem desorganizar nada, apenas mantendo tudo vivo...
Meu amor é uma gaveta trancada,meu coração tem um segredo, varias combinações, nunca se vai muito longe a menos que eu queira.
E quando eu quero, sei que quero com todas as forças, quero das mãos ao peito, quero o que pulsa e expulsa meus medos rotulados...
Sei que quero quando sinto esse existir não apenas vazio e minhas borboletas no estômago revoando-se... Minha fome, flor da pele, sangrando memórias, existindo apenas...
Minha insana vontade de te ter em minhas mãos aos meus pés...
minha vontade de estar, sala de janta, festa, amores, minhas veias pulsando sem vontades, a beira de um abismo se jogam...
Tudo tão doído, tudo tão vazio, não pertenço meus delírios, quero descansar a mente, adormecer o coração...
Apenas te quero, quero fazer-te existir, no meu mundo tudo se permite, os olhos são portas abertas...

Verdades escondidas...


Sinto como se meus segredos mais íntimos estivessem descobertos, como se pra entender os outros eu tivesse que me desiludir, despir-me de todo preconceito.
Sinto como se um medo que escondi viesse à tona, tomando todo o meu ser, sentando-se a sombra da grande árvore das minhas ideias..
Como se o esqueleto que guardei no armário quisesse sair , sei que as vezes o ignoro, fingindo não haver segredo algum. Mas parece que meu enigma apodreceu demais e deixa entre as portas entrever o fundo do armário, fundo falso, e o cheiro putrefado se espalha me entregando a todos...
Sinto como se ao me ver refletido no espelho, nua, despida de argumentos, pudessem todos ver meus erros tatuados nos meus olhos fundos, fechando um baú de mentiras, mofando a indecência, respirando fundo e fingindo sentir um perfume fresco, fingindo que mais ninguém vê.
Continuo como se nada mais pudesse descobrir então minha falsa verdade. Me visto, me considero disfarçada, apesar das verdades me atormentarem sempre que raia o sol sobre os frutos de cera na mesa de centro e então me vejo refletida , sem pudores, sem julgamentos, me deixo acreditar então nas mentiras que conto, as invento tão bem que as vezes me parecem apenas verdades inventadas...
Faço-me crer que quem me deseja sem viço, tem o mesmo brilho daquele que me nutre o corpo, como se pra me manter, tivesse que valsar com meu algoz, entender suas fraquezas e bajular-lhe, para então decepar-lhe a coragem, escandalizar minha vida e detê-la em meus dedos...
Vejo-me cair, como se o cadafalso que detinha meus pés, rompesse corroído pelas traças da verdade, como se para entender meu inimigo eu tivesse que ama-lo profundamente, iludir seu ego...

sexta-feira, 4 de março de 2011

No seu olhar


Ela fica parada, parece pensar na vida, talvez pense em nada ou talvez me entenda alem de tudo, apesar de tudo fica ali me olhando, com sorriso enigmático, de La gioconda, de paisagem de inverno....
Eu quando me canso de tal observação, reflito a cerca de tudo que se passa em seus olhos profundos, queria mergulhar fundo pra tentar trazer à tona a verdade, as vezes nem dela tenho certeza, seus olhos blasfemam contra mim, me mentem, me sequestram a concentração...
De trás do véu dos teus mistérios sei que mora um amor tão grande, queria eu sabedoria pra descobrir e entender o dono de teus sentimentos mais escondidos, queria eu ser este dono...
Mas minha doce amada fica ali parada na janela da vida, debruçada sobre a noite eterna dos seus pensamentos, nem me deixa atrever-me a adentrar em seu mundo tão secreto. Queria eu fixar morada nos seus sonhos, recolher-me toda noite à teus braços, aconchegar-me na inocente duvida do seu olhar, como queria ser dono destes seus segredos..
Menina, dona de tanta beleza, algo que pra mim parece um mistério, sei que me negas teu amor, sei que brincas com meus sentimentos, na sua insolência, sua teimosia, mesmo assim me tem...







Ilustração(Théo Gomes)

Meu amigo


Do meu amigo, não sei explicar, talvez seja anjo, ou apenas humano demais, a ele o mundo lhe pertence...
Quem é meu amigo?
Almeja sonhos que na esquina lhe abraçam.
Pro meu amigo tudo é lindo, e por isso olho-o com admiração, amor tão simples que me compreende só de estar...
Se meu amigo quer um abraço, ele trás pra perto o que a um palmo lhe parece distante demais.
É tão simples conseguir um sorriso seu, que lhe nasce fácil, demora a sumir, lhe marca a face em vários pontos de sua experiência que ele trás estampada, sem elas talvez não seria nem metade do que é.
O meu amigo tem nome, tem lugar no mundo, mas eu não preciso dizer-lhe nada ...apenas dou um "oi" e a conversa começa, limpa, sem pudores, sem barreiras, rimos a rostos claros, dentes a mostra, desarmados de medos, brigamos, guerras infinitas, um segundo e a saudade nos acomete, então um diz "estou com saudade" o outro endossa "eu também".
Engraçado, assim é meu amigo, engraçado assim me parece que deveria ser tudo, simples, limpo, desarmado e sincero...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ciranda




Roda ciranda de brincar, roda a vida, velho filme em preto e branco...
Vou ficando pra trás, olhando tudo girar, fico tonta só de pensar,
me espera, se parar eu posso ainda te contar, meus segredos vou te revelar
Contar historias de alguém que ainda virá, ou alguém que me ensinou a observar...
Deixa a ciranda rodar, injusta musica ainda não parou de tocar
Tuas mãos resvalam da verdade, talvez se escondam do mundo
Tua voz de rouca foi ficando linda de se ouvir, parecendo encontrar o caminho certo, o vibrar perfeitos das cordas vocais...
Vem e me de a mão, viajaremos por mares e estradas, todas elas escondidas no teu olhar, tu minha mais bela criança.