segunda-feira, 18 de julho de 2011


Desorganizei a casa pra você entrar
Desarrumei a vida pra você chegar
E chegada a hora de nascer amor
tudo volta ao lugar, confusamente sem graça

Coloquei o amor onde antes estivera
replantei as flores no azul do céu
joguei os peixes de volta ao mar
e me falta ar pra saborear a vida

Repensei coisas que havia esquecido
Amei o ódio e o tirei para dançar
fizemos valsa no tapete vermelho
e dançamos amor pela escadaria


Joguei o tempo contra ele mesmo
e troquei as vidas de lugar
Armei contra o destino
e descansei no peito que não é meu

Endoidecida pelo desamor,
descobri passagens que me prendiam
embebecida pela minha insolência
me descobri muito mais perdida


E do amor não quero mais nada
a menos que ele também me queira
A vida é mesmo uma grande surpresa
e eu cansei de ser a única a não entender

Às vezes parece que estamos lado a lado
e vem o destino e nos desune
Às vezes parece que se desprende algo
que fica suspendendo esta existência

quinta-feira, 14 de julho de 2011


Como o ar que se prende nos pulmões até sufocar,
Como o amor que preenche algum espaço entre o peito e o córtex cerebral,
Como o sorriso que completa a face e faz rugas desejáveis,
Como o beijo que se adapta a saliva alheia e aprende tirar dela o melhor sabor

Mas como a incerteza que não queria ser assim
Mas como o medo que queria ter coragem
Mas como o sonho que queria ser pesadelo
Mas como tudo que sonho que queria ser real

Espero teus olhos acharem os meus
Espero tuas mãos encontrarem o caminho
Espero o fim que venha encontrar o começo
Espero acordar deste meu devaneio...

Busco a chuva a lavar a calçada seca
Busco o frio esquentar a alma
Busco o que já existe para compreender-me
Busco na mentira o que me acalma

Beijo uma boca a procurar a sua
Como se o ar que prendo pudesse conter-te
Mas como tudo que sonho não vem a ser meu
Espero o dia que matarei minha sede
Busco encontrar teu cheiro que já se perdeu...

quarta-feira, 13 de julho de 2011


Na noite passada, nas lágrimas da chuva,
estavas sim, eu sentia...
No breu do meu sonho, que sempre foi por ti, estavas tão bela que mal pude perceber
que sua face escondia medo...
Na fuga do beijo por entre os dedos, o medo, a falsa verdade, o verdade fingida, o amor corrompido, escondido ...
No encontro não marcado, no esconderijo, nas mãos que seguram firme, no coração que foge livre como pássaro...
Meus pesadelos estão acordados para ver sua beleza, e sua tão fina pele tenta deter o calor que se desprende... viaja pela infinidade de calhas que a vida se drena...

segunda-feira, 11 de julho de 2011


Teus olhos me acham, e eu me perco
sinto medo de ser e vontade de estar...

Teus olhos me buscam e eu fujo
e este medo de entender e não realizar...

Teus olhos se encaixam nos meus e eu desvio
é sempre o medo de amar como jamais pude...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Análise....


Das janelas, tão altas de minha alma, vejo seus olhos, tão indiscretos a me censurar...
Dessas ruas cheias de gente, cheirando a urbanidade, vejo sempre algo que me faz parar, analisar...
Dessas pedras já jogadas e que retornam sobre você, mostrando que na verdade os erros são somente seus...
E das calhas destas casas, vejo escorrer o limo verde, mostrando a velhice de nossas mentes, a apodrecer nosso senso de discernimento.
Geração após gerações sobrevive sempre o mesmo medo de cometer-mos os mesmos equívocos...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Excesso de verniz....


Se pudesse pedir silêncio, pediria o silêncio de uma música bem alta de Janes Joplin,
que quanto mais alto, menos se ouve as interferências do mundo...
Se pudesse pintar os muros, como no tempo que não se podia, faria caretas, pintaria todo o ódio em vermelho, lascivo e cravejado, destas coisas todas que sinto e que me transfiguram...
Mas se eu pudesse algo, algo que realmente ficasse pra sempre, calaria...
o silêncio também grita, também vocifera,
e faz-se ouvir de mais longe, ao menor ruído...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ainda...




É quando as flores artificiais murcham, que percebo o quão real era o que existia antes...
Até as paisagens no quadro da parede perderam as folhas... fica a vida em sépia...
Não quero fingir personagens, por que assim não seria verdadeiro, preciso de felicidade que dure...